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Tomorrowland

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Tomorrowland, dentro de um paradoxo, acerta no mesmo ponto em que escorrega. Ao se manter fiel à visão de Walt Disney – afinal, é um filme ...

 

 

 

 

 

 

 

Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível

(Tomorrowland, 2015)

Por Heitor Romero

O amanhã já passou.

No ano em que o primeiro parque construído sob supervisão do próprio Walt Disney em pessoa completa sessenta anos, o estúdio não poderia deixar passar em branco a data e aproveita a premissa de Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível (Tomorrowland, 2015) para homenagear o gênio e toda sua ambição. Como todos sabem, Walt Disney era fissurado pelo futuro, pelo avanço da tecnologia, pelas possibilidades espaciais e pelo poder da imaginação. Sua ambição não tinha limites, e hoje seus parques temáticos não só atraem milhares de turistas de todas as partes do mundo como também influenciam toda a arquitetura de outros parques e mesmo de cidades inteiras. Em outras palavras, ele foi um visionário.

Mas ser um visionário na primeira metade do século XX envolve, claro, todo o contexto histórico, político, social e cultural pertencente à época, e só de pensar nisso é fácil lembrar-se do conceito que as ficções mantinham do futuro. Pessoas trajando macacões prateados, automóveis voadores, teletransporte e construções que desafiam as leis da física formavam a visão utópica de um futuro repleto de possibilidades (basta pensarmos na megalomania arquitetônica de Metrópolis [idem, 1927], de Fritz Lang), enquanto a ala distópica imaginava robôs com visão a laser destruindo a terra, separações de castas na sociedade, ou naves espaciais se deparando com vida alienígena inteligente e hostil.

Tomorrowland, dentro de um paradoxo, acerta no mesmo ponto em que escorrega. Ao se manter fiel à visão de Walt Disney – afinal, é um filme em homenagem clara a ele – e recriar um universo aos moldes, digamos, antigos das utopias do século passado, o filme acaba por se espatifar no anacronismo de um futuro que já não está na perspectiva de mais ninguém. Querendo ou não, é um filme voltado para o público jovem e isso deveria ser levado em conta, mas tudo desanda quando a Tomorrowland do título se mostra uma variação bizarra do universo dos Jetsons mista em um conceito meio Matrix (The Matrix, 1999). Ora, como conciliar uma aventura juvenil ambientada num universo infantilóide com uma proposta dita modernosa de realidade virtual e viagens através de dimensões? E, pior, como dar um jeito de entuchar nesse meio um discurso maçante e didático sobre a preservação do planeta?

Brad Bird era o nome ideal para salvar essa receita fadada ao fracasso, visto ter experiência com o universo infantil (vindo de animações excelentes como Os Incríveis [The Incredibles, 2004] eRatatouille [idem, 2007]) e ter provado talento no live-action para adultos com Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (Mission: Impossible - Ghost Protocol, 2011), mas seu talento não é capaz de salvar um roteiro manjado e escrito sob os padrões de moral e discursos ecochatos da Disney. Mesmo para o público infanto-juvenil o filme se mostra uma armadilha, visto que demora demais para situar o espectador dentro da trama. Só depois da metade da projeção que finalmente alguém decide explicar o que diabos está acontecendo, já que a narrativa é corrida, entrecortada, lotada de explicações espatafúrdias, atolada de idas e vindas no tempo que se vendem muito complexas, quando na verdade não passam de puro blábláblá.

O excesso de CGI e a falta de imaginação, ao invés de homenagearem Walt Disney, provavelmente o farão se revirar no caixão. Nada mais triste do que ver um gênio desses ganhando uma lembrança tão mambembe, justo um dos maiores visionários e criativos artistas de todos os tempos. O futuro, aos olhos dele, podia se resumir a uma única palavra: possibilidades. Aqui em Tomorrowland, o amanhã é anacrônico, ultrapassado e nem um pouco atraente.

( Fonte: www.cineplayers.com )

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