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10 de Setembro de 2010
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Sgt. Pepper´s Especial 40 anos PDF Imprimir E-mail
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Sgt. Pepper´s Especial 40 anos
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Image Já se disse tudo sobre " Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band" ? O LetraseLivros foi atrás de saber e em matéria especial, preparou um dossiê sobre um dos mais importantes discos da história da música contemporânea. Confira. ( Leia completo)

" Uma das minhas maiores influências não é estritamente literária : a capa do disco Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band. Me lembro perfeitamente de ter 6 anos, olhando fixamente e tentando descobrir de quem eram aqueles rostos todos que acompanhavam os Beatles". A frase é do escritor argentino Rodrigo Frésan, autor do premiado " Jardins de Kensington" , excepcional romance que mistura digressões sobre a infância com cultura pop e tendo como um de seus cenários a Londres dos anos 1960. A certa altura, Peter Hook, um dos personagens principais do livro diz que " A Day in the Life" era " o desejo impossível de fazer a História inteira caber em um dia."

Quarenta anos depois do lançamento de um dos mais importantes discos da história da música , a impressão que se tem é que tudo já foi dito sobre o álbum " Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" dos Beatles , lançado no dia 01 de junho de 1967. Em comemoração aos seus 40 anos , especiais inundaram a mídia impressa, televisiva, sites da Internet e até discos foram postos no mercado a fim de marcar a data. Mas, será que já se disse tudo mesmo ou apenas o que já se está cansado de saber? A resposta ficará a cargo de nossos leitores.

Para a composição da matéria, resolvemos esquecer um pouco o que de mais comum já foi escrito sobre o álbum. Não comentamos sua capa, suas vendagens, não ouvimos depoimentos de músicos, artistas e sequer citamos declarações dadas por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr ao longo dessas quatro décadas.

Ao invés disso, convidamos os leitores a uma viagem ( magical?) ao passado, mais precisamente àqueles dias que antecederam ao lançamento de Sgt. Pepper´s. Dentro dos estúdios. Dia após dia.

Vladimir Araújo – Editor

Índice : Pág. 01 - It Was Forty Years Ago Today / Pág. 02 - Nothing is Real / Pág. 03 - One Down Six to Go/ Pág. 04 - Inner Groove / Pág. 05 - What Do You See When You Turn Out the Lights / Pág. 06 - No More She Loves You/ Pág. 07 - As canções / Pág. 08 - O Evangelho do Rock/ Pág. 09 - Iconografia

 

 

Image Faixa 1

Sgt. PEPPERS LONELY HEARTS CLUB BAND

It Was Forty Years Ago Today

Quando os últimos acordes de Long Tall Sally se encerraram, e os Beatles – após a reverência de praxe – deixaram o palco do Candlestick Park na noite fria do dia 29 de agosto de 1966, sabiam que dali por diante as coisas seriam diferentes. Nos camarins, ou melhor, vestiários do estádio de baseball rebatizado hoje em dia como ‘Monsters Stadium’ eles suavam em bicas dentro dos impecáveis paletós escuros. A movimentação do ‘backstage’ era a de sempre: muita gente, autoridades, pedintes, mães com filhos doentes ou aleijados, fotógrafos, jornalistas, malas, penetras, groupies... Apesar da sempre presente falta de privacidade, um ciclo se fechava ali. Emparedados por um status quo que não estavam mais suportando eles decidiram parar de excursionar. E pararam mesmo. Os Beatles juntos nos palcos novamente? Nunca mais. Ainda há quem discuta se foi a decisão certa. Afinal, os Rolling Stones estão aí até hoje, apresentando-se ao vivo sessentões. Teriam os Fab Four durado mais se as turnês jamais tivessem sido interrompidas? Não há resposta para essa pergunta, somente divagações. Pelo que viria a seguir, e pelo que produziriam na seqüência, é possível que dar um basta nas exibições em teatros, arenas, e estádios tenha sido a decisão correta.

Mas os Beatles só abandonaram as turnês quando estavam - pode-se afirmar sem medo de parecer exagerado - no topo do mundo. Podiam tudo, eram os maiores, ‘os caras’, os mais celebrados, os mais paparicados, donos das maiores vendagens de discos e capazes de arrastar multidões, fossem onde fossem. Talvez um dia recebam o título de avós da globalização. Num tempo em que não existia internet, comunicação via satélite, e o mundo parecia expressivamente grande – com as nações isoladas em seus costumes, crenças, gostos – os Beatles unificaram...

Podem ter parado de excursionar por puro profissionalismo. Achavam que como não eram ouvidos, estavam acabando com a própria musicalidade. Os tempos sem dúvida eram tecnologicamente precários para apresentações ao vivo. E, no caso específico deles, a coisa estava ficando perigosa, tensa e incontrolável. Como ninguém de fato ouvia nada, ou quase nada, é possível que à distância os Beatles fossem apenas quatro caras num palco, balançando a cabeça e marcando os compassos com os pés no palco. Feito marionetes. Podia ser pouco para eles. Já era muito para o mundo. Quem teve a felicidade de estar nas arquibancadas de um Shea Stadium, por exemplo, e sair de lá para contar depois, sabe do que estou falando. O mundo – e talvez os próprios Beatles - ainda ignorava a revolução musical que estaria por vir.

Não é demais ponderar, todavia, que quando optaram por parar, eles estavam consideravelmente ricos e famosos. Rapazes bem jovens ainda na metade de 1966, os Fab Four de Liverpool pareciam ter feito tudo. Ringo e John tinham 26 anos. Paul, 24. George, 23. Eram milionários, poderosos e à frente do tempo de qualquer outro na idade deles. Inicialmente tiraram férias como mortais comuns. Não haveria mais turnês dali por diante. Como então divulgariam seus discos e continuariam a vender milhões de cópias planeta afora? E haveria mais discos?



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