Início arrow MÚSICA arrow Sgt. Pepper´s Especial 40 anos
Participe do letras&livros enviando seu artigo, texto, conto ou resenha. Para isto efetue seu Login neste site ou acesse nossa Lista de Discussões clicando neste link, e concorra a prêmios exclusivos!
7 de Setembro de 2010
Interatividade
Quem Somos
Login(out)
Contate-nos
Nossa Letra

Livro do Mês

Pense

" Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar".  Nietzsche

As 10 Últimas Notícias
As 5 Mais Lidas
Folha de São Paulo
 
Folha.com - Em cima da hora - Principal
Folha.com - Em cima da hora - Principal
Plantão G1
Arquivo
Nº DE ACESSOS
Visitantes: 1052707
Sgt. Pepper´s Especial 40 anos PDF Imprimir E-mail
Índice de Artigos
Sgt. Pepper´s Especial 40 anos
Página 2
Página 3
Página 4
Página 5
Página 6
Página 7
Página 8
Página 9

Image Faixa 5

"What do You See When You Turn out the Light"

Quarta-feira - 04 de Janeiro de 1967

Estúdio Dois - Abbey Road:

Os Beatles voltam ao estúdio pela primeira vez no novo ano. Trabalham das sete da noite às duas e quarenta e cinco da manhã. O tempo é gasto na gravação de ‘overdubs’ para Penny Lane. John gravou base de piano, George gravou a guitarra líder, e Paul registrou novos vocais. O resultado foi a confecção do take sete, mas Penny Lane não estava pronta.

Quinta-feira - 05 de Janeiro de 1967

Estúdio Dois - Abbey Road:

O dia, ou melhor, a noite de trabalho começou às sete horas e estendeu-se até meia noite e quinze. Os acontecimentos dessa ocasião foram uma autêntica ‘viagem’ de experimentalismo. Embalados pela inventividade, e certamente pelos alucinógenos da época, os Beatles se entregaram ao trabalho de produzir a gravação de estranhos efeitos de áudio para compor uma peça sonora chamada Carnival of Light Rave. Em princípio a gravação seria utilizada como trilha sonora de um espetáculo teatral com esse nome, programado para o Roundhouse em Londres. Posters chegaram a circular pelas ruas da capital britânica anunciando que o evento permaneceria em cartaz de 28 de janeiro a 4 de fevereiro, com "música composta por Paul McCartney and Delta Music Plus." De fato a idéia de Carnival of Light partiu de Paul. A gravação é considerada bizarra por consistir numa junção de sons e distorções. No press release do espetáculo teatral dizia-se que Carnival of Light era uma gravação de ruídos eletrônicos. Os Beatles nunca haviam feito nada semelhante até então. O resultado das muitas horas de estúdio neste dia resultou num take com 13 minutos e 48 segundos e tornou-se a mais longa gravação ininterrupta da banda até a data. Foi montado um take básico e sobre ele inseridos numerosos overdubs dos mais diversos sons. O final incluiu pesadas, e porque não dizer hipnóticas, gravações distorcidas de bateria, órgão hammond, guitarras, órgão de igreja, e vários efeitos como o som de alguém gargarejando. O fechamento foi algo ameaçador, com Paul e John berrando feito dementes, frases e palavras desconexas como, are you alright? E Barcelona! Carnival of Light termina após quase 14 minutos de loucura com uma frase gritada por Paul: can we hear it back now? (podemos ouvir isto novamente?). Após montado um rude mono mix a gravação foi entregue aos organizadores do evento. Ao ouvirem, certamente tiveram certeza que aquilo era uma performance vanguardista, gravada pelos Beatles especialmente para eles. Carnival of Light jamais ganhou a luz, porém. A peça não foi encenada e esta gravação não circula até essa data, nem na pirataria. Há quem diga que Revolution 9, de John Lennon, lançada em 1968 no Álbum Branco é integralmente inspirada em Carnival of Light.

Segunda-feira - 09 de Janeiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Nesse dia, entre sete da noite e uma e quarenta e cinco da manhã foram gravadas quatro flautas e dois trompetes para inclusão em Penny Lane. No dia 12 seriam gravados mais dois trompetes, dois oboés, e até um ‘double bass’ clássico para editar na mesma composição.

Terça-feira - 17 de Janeiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Neste dia, Penny Lane ficou pronta. Paul queria uma sonoridade que não conseguia encontrar, até assistir pela televisão o músico David Mason tocar o Concerto Número Dois de Brandemburg. Telefonou-lhe. Ele veio para Abbey Road e gravou dois overdubs, um para o solo no meio da música, e outro para o final. A versão de Penny Lane com o solo de trompete ao final chegou a ser editada oficialmente nos estados Unidos.

Terça-feira - 19 de Janeiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete e meia da noite às duas e meia da madrugada, uma sessão histórica na qual começou a nascer A Day in the Life. Quatro takes foram gravados, mas não finalizados porque nesse estágio eles esbarraram no problema de andamento para juntar a composição inacabada de John, com a não concluída, Woke Up, de Paul.

Sexta-feira - 20 de Janeiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite à uma e dez da manhã eles chegaram ao take seis de A Day in the Life, com novas gravações de vocal de John, bateria de Ringo, e baixo de Paul. Na sessão desta noite surgiu a idéia do relógio despertador para marcar o momento certo de ‘unir’ as composições de Paul e John, ‘fechando’ a idéia de uma faixa única que resultaria em A Day in the Life. Paul regravaria seu vocal no dia 3 de fevereiro corrigindo pequenos erros.

Segunda-feira - 30 de Janeiro

Knole Park, Sevenoaks, Kent:

Neste e no dia seguinte, com filmagens à noite e na parte da tarde os Beatles completaram o primeiro videoclipe da história, para Strawberry Fields Forever, uma invenção do diretor de TV sueco Peter Goldman. A idéia dele era usar a letra da música, e a própria melodia para ‘criar’ imagens que literalmente mostrassem a canção. Pelas décadas subseqüentes se tornaria uma fórmula eficaz para a divulgação de músicas, até com a existência de canais de televisão especializados na veiculação dessas peças...

Quarta-feira - 01 de Fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite às duas e meia da manhã é gravada a composição, Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band. É mais uma sessão histórica porque até essa data o novo disco ainda não tinha nome definido. Foi nessa ocasião que surgiu a idéia da banda fictícia do Sargento Pimenta. Nove takes da base rítmica foram produzidos. No dia seguinte, das sete da noite à uma e quarenta e cinco da manhã, Paul gravaria nova vocalização, além dos ‘backing vocals’ realizados pela banda. Futuros overdubs ainda seriam feitos na faixa que abriria o álbum e lhe daria o título.

Sexta-feira - 03 de Fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite à uma e quinze da manhã, muitos overdubs foram produzidos para A Day in the Life. A canção ganhou novos vocais de Paul. Ringo Starr gravou a bateria definitiva, um de seus melhores e mais elogiados trabalhos como músico.

Domingo - 05 de Fevereiro

Angel Lane, Stratford, Londres:

Parecia óbvio que o ‘promo filme’ para Penny Lane fosse gravado em Liverpool, para ficar de acordo com as menções da letra da composição. Mas assim como Strawberry Fields, as gravações do clipe para esta faixa foram feitas em Londres. John, Paul, George e Ringo foram filmados cavalgando em cavalos brancos, e caminhando por Angel Lane entre meio-dia e quatro horas da tarde de um domingo. Para dar a ilusão que os Beatles passeavam por Liverpool, Peter Godman e sua equipe gravaram imagens na cidade natal dos rapazes. Aquelas cenas clássicas da barbearia, do ponto do ônibus e do letreiro no alto do coletivo mostrando que a linha passava por Penny Lane. Não se sabe em que data aquelas imagens foram feitas. Depois seriam ‘montadas’ nas gravações feitas em Londres.

Terça-feira - 07 de Fevereiro

Knole Park, Sevenoaks, Kent:

Os Beatles voltam ao local das gravações do ‘promo’ de Strawberry Fields para filmar a seqüência final de Penny Lane, na qual se sentam em uma mesa de jantar e são ‘servidos’ por dois homens em trajes vitorianos e usando perucas. Um deles é Mal Evans. Os dois soberbos clipes foram filmados em cores e distribuídos para canais de televisão em todo o mundo. A BBC foi a primeira a exibir os ‘promos’, no dia 11 de fevereiro. Nos EUA os clipes teriam a primeira exibição no dia 25 do mesmo mês.

Quarta-feira - 08 de Fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite às duas e quinze da manhã nasceu uma nova composição, Good Morning Good Morning, de John Lennon, inspirada num comercial dos flocos Kellogg’s. Oito takes da base rítmica foram produzidos.

Quinta-feira - 09 de Fevereiro

Regent Sound Studio:

Neste dia os Beatles são obrigados a trocar de estúdio porque Abbey Road estava ‘locado’ para outras gravações. O Regent era um dos muitos estúdios que a EMI utilizava quando necessário, na forma de arrendamento. O tempo passado no Regent (não há informações de horário de chegada e saída do local) serviu para a gravação da base rítmica de uma nova canção de Paul, Fixing a Hole. Os três takes gravados seriam levados para Abbey Road, e lá retrabalhados.

Sexta-feira - 10 de Fvereiro

Estúdio Um - Abbey Road:

Mais um dia para ficar na história das gravações de Sgt. Peppers. Nesta data, e seguindo uma idéia de Paul, a banda, os técnicos e o maestro George Martin montaram a colossal ‘ponte sonora’ para interligar definitivamente as canções A Day in the Life, de John, e Woke Up, de Paul numa peça única. McCartney queria 90 músicos de formação clássica, mas George Martin após muita argumentação reduziu a cota para 40 profissionais. Cada músico de formação clássica recebeu as seguintes instruções:

· Começar tocando baixinho, e o mais alto possível ao final.

· Começar lentamente e acelerar o ritmo à todo vapor ao final.

· Fazer seu próprio caminho nas escalas, independente da nota que estivesse sendo tocada pelo músico ao lado.

A orquestra foi gravada quatro vezes, e a gravação capturada numa máquina de quatro canais. O áudio foi transferido posteriormente para um único canal, quase triplicando a idéia original de Paul. O ‘barulhaço’ colossal superposto dava a impressão de ter sido executado não por 40 ou 90, mas 160 músicos. E não foi só.

Com George Martin e Paul McCartney na condição de regentes, e com todos sabendo que aquela data seria especial, a sessão foi filmada profissionalmente e virou o ‘promo’ psicodélico de A Day in the Life. Os músicos clássicos foram instados pelos Fabs a usar narizes de palhaço e outros adereços que adicionaram ainda mais ‘non sense’ ao sisudo ambiente do Estúdio Um. Balões foram dependurados nos ‘fagotes’ da Orquestra de modo que inflavam e murchavam à medida que os instrumentos eram tocados. Todo o ambiente do estúdio foi decorado com luzes, balões, pedaços de panos coloridos, e os mais diversos penduricalhos. A idéia de capturar um ambiente caótico e barulhento, centralizado em imagens quase surreais foi alcançada à perfeição. Os convidados especiais dos Beatles para a ocasião não somente compareceram como ‘interagiram’ com a gravação das imagens: Mick Jagger, Marianne Faithfull, Keith Richard, Mike Nesmith (dos Monkees), Donovan and Simon and Marijke do famoso grupo de design The Fool. Marijke chegou a tocar um tamborim durante a gravação da orquestra, e o áudio desse instrumento entrou na mixagem final. Cenas inesquecíveis como as que capturam Patty Harrison pulando pelo estúdio um, e duas fãs sendo expulsas do local por Neil Aspinall estão entre os grandes momentos daquela filmagem. Depois que a orquestra foi embora, tentou-se pela primeira vez gravar o acorde final para A Day in the Life com a participação dos Beatles e de seus amigos, o que significa que aquela idéia também nasceu durante essa sessão. O material filmado e transformado no promo vídeo de A Day in the Life nunca foi mostrado na época do lançamento do disco Sgt.Peppers porque a canção foi banida das rádios pela BBC e de diversos países pela associação ao uso de drogas.

Segunda-feira - 13 de Fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite às três e meia da manhã foram preparados quatro mono mixes para A Day in the Life e iniciada uma nova canção de George Harrison, Only a Northern Song, cujo título de trabalho foi, Not Unknown. No dia seguinte a faixa ganharia novos vocais e overdubs. A gravação ficou fora de Sgt. Peppers e seria ‘retrabalhada’ no futuro para inclusão no LP Yellow Submarine. O lançamento oficial de Only a Northern Song tal como foi gravada nas sessões de Sgt. Peppers só ocorreria com o advento da série Anthology, em 1995.

Sexta-feira - 17 de fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Dia no qual o single com Strawberry Fields Forever/Penny Lane é lançado na Inglaterra. O primeiro lançamento de faixas inéditas da banda desde o disco Revolver. Naquela noite os Beatles retomaram os trabalhos no estúdio às sete da noite e foram até às três da madrugada. A sessão marcou o nascimento de Being For the Benefit of Mr. Kite. A letra como se sabe, foi inspirada num velho cartaz de 1843, do circo de Pablo Fanques. Curiosamente o cartaz foi comprado num antiquário próximo de Sevenoaks, no dia 30 de janeiro, quando da gravação do clipe de Strawberry Fields Forever. Nove takes foram preparados da nova composição. Mr Kite.

Segunda-feira - 20 de fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite às duas e quinze da manhã a banda e os técnicos trabalharam para materializar a idéia ‘circense’ para Being For the Benefit of Mr Kite, um trabalho que por si renderia uma revistinha virtual completa do Pop Go The Beatles, dada a engenhosidade. Mas não seria nessa ocasião que a música ficaria concluída.

Terça-feira - 21 de Fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite à meia-noite e quarenta e cinco eles completaram Fixing a Hole trabalhando em cima do take dois gravado anteriormente no Regent Studios.

Quarta-feira - 22 de fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Uma longa sessão, das sete da noite às três e quarenta e cinco da madrugada para trabalhar o acorde final de A Day in the Life. John, Paul, Ringo e Mal Evans dividiram três pianos ‘golpeando’ simultaneamente os teclados na nota "mi maior". Nove tentativas foram feitas, mas em nenhuma os quatro conseguiram ‘tocar’ a nota ao mesmo tempo. O nono take acabou sendo considerado o melhor, resultando em 53 segundos de parede sonora para ‘fechar’ não somente A Day in the Life mas o próprio álbum. Na seqüência até o final da sessão eles trabalharam numa gravação experimental – mais uma - muito estranha, batizada Anything que consistia simplesmente em 22 minutos e 10 segundos de Ringo Starr tocando bateria direto, sem parar. O material foi gravado, mas certamente jamais usado. Não consta se foi mixado. Não há informações se a gravação permanece nos arquivos dos estúdios Abbey Road para, um dia quem sabe...

Quinta-feira - 23 de Fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Nasce Lovely Rita. Das sete da noite às três e quarenta e cinco da madrugada eles produzem nove takes da base rítmica da nova composição de Paul McCartney. O lead vocal definitivo seria gravado no dia seguinte.

Terça-feira - 28 de fevereiro

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite às três da manhã os Beatles ficaram ensaiando uma nova composição de John Lennon, Lucy in the Sky With Diamonds. A canção só seria gravada – em sete takes – na sessão do dia seguinte, quarta-feira primeiro de março de 1967. Importante observar o tamanho do poder dos Beatles nessa época em Abbey Road, já que um dos estúdios mais caros do mundo era ocupado pela banda para uma longa sessão de ensaios, o que impediu outros artistas daquela época de utilizar o espaço para efetuar gravações.

Segunda-feira - 06 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Dando vida à idéia de um concerto da banda fictícia do Sargento Pimenta, Paul McCartney chegou aos estúdios com a idéia de acrescentar muitos overdubs à faixa-titulo Sgt.Peppers Lonely Hearts Club Band. Coisas como aplausos, gritos, sons da platéia se acomodando das cadeiras, conversações dos músicos, ajustes para o começo do show. Das sete da noite à meia-noite e quinze eles se serviram dos arquivos de som dos estúdios Abbey Road para escolher o que precisaram. Até trechos do ruído do público das apresentações no Hollywood Bowl em 1965 foram utilizados na sessão de overdubs.

Terça-feira - 07 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Numa demorada sessão de overdubs para Lovely Rita, foi utilizado um instrumento inusitado: um pente de cabelos envolto com um pedaço de papel higiênico (cada folha com a logomarca da gravadora, diga-se de passagem) foi ‘soprado’ por Paul criando um som esquisito e percussivo.

Quinta-feira - 09 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite às três e meia da manhã, uma nova canção nascia: Getting Better. Sete takes da base rítmica foram preparados, e a nova composição ganharia overdubs nos dias 10, 11 e 21 de março.

 

Segunda-feira - 13 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Seis músicos da banda Sounds Incorporated, aquela mesma que abriu o show do Shea Stadium, tocam numa composição dos Beatles. Eles adicionam três saxofones, dois trombones e uma trompa francesa em Good Morning, Good Morning.

Quarta-feira - 15 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Nasce Within You Without You. Se os estranhos experimentos musicais, Carnival of Light e Anything não seriam lançados comercialmente, esta faixa de George Harrison se tornaria a mais Indiana das gravações a aparecer num álbum dos Beatles. Das sete da noite à uma e quinze da manhã, George Harrison foi o único dos Fabs no estúdio, acompanhado dos técnicos da EMI e de músicos indianos. Nesse estágio a faixa não tinha título, mas o take foi integralmente montado, gravado e mixado. George esperou até às duas da manhã pela ‘montagem’ provisória do take e levou o resultado para ouvir em casa. As guitarras do rock foram substituídas por instrumentos exóticos no ocidente como por exemplo: dilruba, swordmandel, droning tamboura, tabla...

Sexta-feira - 17 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite à meia-noite e quarenta e cinco foram produzidos seis takes de orquestra para She’s Leaving Home. Um fato curioso aconteceu nesta noite. George Martin não dirigiu os trabalhos. Ele, apesar da associação com os Beatles, não era produtor exclusivo deles. Nesta ocasião estava ocupado com outros artistas que costumava atender. Paul McCartney não quis esperar e simplesmente chamou outro produtor, Mike Leander, que recebeu cachê de 18 libras pela noite de trabalho. Consta que George Martin não gostou. Leander usou dez músicos para gravar o arranjo orquestral para She’s Leaving Home, entre eles, Sheila Bromberg, que tocou harpa. Sheila foi a primeira mulher a participar de uma sessão de gravação dos Beatles. George Martin, posteriormente, aprovaria os resultados desta sessão.

Segunda-feira - 20 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Após conceder uma entrevista para a Rádio BBC os Beatles trabalharam, das sete da noite às três e meia da manhã na finalização de She’s Leaving Home. Paul gravou novos vocais. George Martin trabalhou na mixagem dos takes orquestrais. Nenhum dos Beatles tocou qualquer instrumento nessa gravação.

Terça-feira - 21 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Uma ‘beatle session’ especialmente curiosa nesta noite. Os trabalhos começaram normalmente às sete horas, ocupando inicialmente Paul e George com novos ‘overdubs’ vocais para Getting Better. Sem nada a fazer de imediato, John Lennon entregou-se à uma ‘viagem’ de LSD a bordo do estúdio dois de Abbey Road. Com falta de ar, decidiu subir para a sala de controle de som, onde se encontrava George Martin. Foi fácil para o maestro perceber que alguma coisa estava errada com John. Ele jura que à época – por pura inocência – não sabia que naquele momento estava diante de um beatle chapado. Achou que Lennon se sentiria melhor se tomasse um pouco de ar fresco. Mas não seria possível leva-lo para o lado de fora dos estúdios, onde era implacável o assédio das fãs. A solução foi ‘subir’ com John para o teto dos estúdios Abbey Road. Nesse ponto a história tem duas versões. George Martin sustenta que John abriu os braços, respirou fundo, e – se não tivesse sido contido – teria voado lá de cima, ‘chapadaço,’ enquanto se maravilhava com as cores da noite escura, do céu e das estrelas. George Martin alega não ter observado nada de especial no espaço. Mark Lewisohn conta outra história.

George Martin teria deixado John Lennon lá em cima para tomar um pouco de ar fresco e retornara para a sala de controle. Paul McCartney e George Harrison perguntaram o que estava acontecendo. Informados que John ficara sozinho no teto de Abbey Road, correram para socorrê-lo. Trinta metros separavam o teto dos estúdios do solo, na porta de entrada. Uma queda teria sido fatal. George Martin então ficou sabendo que o causador daquele ‘mal-estar’ tinha sido o LSD. A sessão de gravação foi retomada após o incidente. Deixou-se de lado o registro de novos vocais para Getting Better. Gravou-se o piano solo para Lovely Rita...

Quinta-feira - 23 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Das sete da noite às três e quarenta e cinco da manhã a faixa Getting Better ficou pronta, e foi mixada. Novamente George Martin e seu fiel escudeiro Geoff Emerick – com outros compromissos – não participaram. O engenheiro Peter Vince, que era da equipe da EMI, ‘fechou’ a gravação de Getting Better.

Terça-feira - 28 de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Mais longa sessão até a data, para Sgt.Peppers. Começou às sete da noite e encerrou as quatro e quarenta e cinco da manhã. Foi a primeira sessão de vocais para uma faixa até então instrumental, Good Morning, Good Morning. Paul McCartney fez a guitarra solo. Além da voz principal de John, ele e Paul trabalharam duro nos backing vocals. Nesta sessão também ocorreu a primeira sessão de ‘overdubs’ de sons de animais. John queria que cada novo animal que surgisse fosse apavorando ou devorando o outro. Recorreu-se mais uma vez aos arquivos de áudio dos estúdios Abbey Road, de onde saíram os sons de aves, cavalos, gatos, cães, elefantes e outros bichos conforme ouvimos na gravação oficial. Com o dia quase amanhecendo, eles trabalharam em mais overdubs para Mr. Kite. George, Ringo, Mal Evans, e Neil Aspinall gravaram sons de harmônica. John gravou um órgão, e Paul, guitarra-solo.

Quarta-feira - Vinte e Nove de Março

Estúdio Dois - Abbey Road:

Quebrado o recorde de sessão mais longa. Esta começou às sete da noite e durou até as cinco e quarenta e cinco da manhã. Good Morning, Good Morning ficou pronta. Being For the Benefit of Mr Kite começou a ganhar elaborados efeitos artificiais para ficar no clima circense desejado por John. Nesta quilométrica sessão, John e Paul apresentaram a solução para um problema: a ausência de uma faixa para Ringo Starr no novo disco. Nasceu Bad Finger Boogie, primeiro nome de With a Little Help From my Friends. Eles produziram nesta memorável noite nada menos que dez takes da base rítmica da nova canção. Também decidiram que ela funcionaria como uma seqüência imediata para a faixa-título, Sgt.Peppers Lonely Hearts Club Band. Na reta final da sessão Ringo gravou um overdub do lead vocal, reclamando que não conseguiria sustentar a nota até o final. John Lennon o encorajou, ensaiou com ele e a gravação foi feita. Mantinha-se pois uma histórica sucessão de clássicos, montados e produzidos noite após noite, enquanto Strawberry Fields Forever/Penny Lane, o novo single dos Beatles revelava ao mundo o amadurecimento da banda.

 

Quinta-feira - 30 de Março

Chelsea Manor Photographic Studios:

Estúdio Dois - Abbey Road:

No final da tarde deste dia os Beatles submeteram-se às lentes e luzes do fotógrafo Michael Cooper, maquiados e vestidos para a capa do futuro disco. Foram muitas e muitas tomadas, posando juntos e separados, com e sem instrumentos, sentados, agachados, em pé... O material bruto seria encaminhado ao designer Peter Blake. Essa histórica sessão fotográfica atrasaria sobremaneira a chegada em Abbey Road. As gravações começaram às onze da noite e prosseguiram até às sete e meia da manhã! Trabalharam até finalizar With a Little Help from my Friends. A faixa ganhou overdubs de guitarras, e aquele incrivel ‘baixo’ tocado por Paul McCartney. Ringo adicionou um tamborim e foram realizados os backing vocals.

Sábado - 01 de Abril

Estúdio Dois - Abbey Road:

Aproximava-se o final das sessões, ao mesmo tempo em que se completavam quatro meses do início dos trabalhos para o novo disco dos Beatles. Uma questão pessoal obrigaria Paul a viajar aos Estados Unidos no dia três e lá ficaria até o dia 12. A EMI pressionava. Havia um compromisso dos Beatles em entregar o mono master tape de Sgt. Peppers até o dia 21. Então, em mais uma quebra de recorde de horas de estúdio eles começaram a trabalhar às sete da noite deste sábado, e só pararam às seis da manhã de domingo. Com a concepção de que o disco Sgt. Peppers teria a ambientação sonora de um show, Paul McCartney teve a idéia da inclusão de uma reprise. A canção-título foi escolhida para enfrentar um novo e abreviado arranjo. Sgt. Peppers (reprise) nasceu acelerada, com pesado trabalho de bateria e guitarras. A intenção (plenamente alcançada) era injetar energia como se fosse o final de um show. Nove takes rítmicos foram realizados. Paul fez overdubs do vocal definitivo, Ringo adicionou mais percussão, e muitos efeitos sonoros da coleção de Abbey Road foram utilizados. Lembram da história do cacarejar de uma galinha que ‘se fundiria’ ao riff de uma guitarra? Foi nesta gravação. Um take mixado em mono foi finalizado.

Segunda-feira - 03 de Abril

Estúdio Um - Abbey Road:

Só George Harrison apareceu para gravar. Na primeira etapa da sessão, entre sete e dez e meia da noite, George Martin gravou o som de oito violinos e três cellos para ‘juntar’ ao instrumental indiano de Within You Without You. Das dez e meia da noite às três da manhã George gravou o lead vocal, e o som de uma cítara. Também adicionou um violão. Os técnicos ainda trabalharam até ás seis e meia da manhã na montagem do mix mono. George Harrison foi embora achando que ainda faltava alguma coisa.

Terça-feira - 04 de Abril

Estúdio Dois - Abbey Road:

Mais uma sessão ‘solo’ de George Harrison. Das sete da noite à meia noite e quarenta e cinco, quando Within You Without You ficou pronta e foi editada em mono e estéreo. Para ‘completa-la’ George definiu o que desejava: alguns segundos de risadas no final da faixa. Novamente os risos foram buscados no arquivo de sons de Abbey Road.

Quinta-feira - 06 de Abril

Estúdio Dois - Abbey Road:

Mixagens mono e estéreo do álbum virtualmente pronto. Das sete da noite à uma da manhã foram realizados dois ‘crossfades’ um efeito que ‘ligava’, digamos assim, o final de uma canção ao começo da outra. Ficaram prontas as ‘ligações’ sem intervalos pelo meio entre Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band e With a Little Help from my Friends. E entre Sgt. Peppers (reprise) e A Day in the Life. Um ‘protótipo’ do novo álbum foi montado, apresentando uma especificação única: não havia intervalos entre as canções! Outra novidade era a ordem diferente das faixas em relação ao que seria a mixagem final. As cinco últimas canções do lado ‘A’ eram: Being For the Benefit of Mr. Kite, Fixing a Hole, Lucy in the Sky With Diamonds, Getting Better, e She’s Leaving Home.

Sexta-feira - 07 de Abril

Estúdio Dois - Abbey Road:

Os Beatles praticamente se ausentaram dos estúdios quando começou o trabalho de mixagem estéreo para o novo disco. Em seu livro, Here There and Everywhere, Geoff Emerick afirma que os quatro consideravam a mixagem mono a ‘coisa real, e indiscutivelmente superior às versões estéreo. Dispensaram, portanto suprema importância e prioridade aos mixes mono, acompanhando o trabalho de perto. Os mixes estéreo foram integralmente confiados ao maestro George Martin.

Segunda-feira - 17 de Abril

Estúdio Dois - Abbey Road:

George Martin trabalhou das sete às dez e meia da noite na mixagem estéreo de She’s Leaving Home. O resultado gerou dois takes distintos da mesma faixa. Em mono She’s Leaving Home é mais acelerada, e dura 3 minutos e 26 segundos. A edição estéreo, mais lenta tem 3 minutos e 34 segundos.

Sexta-feira - 20 de Abril

Estúdio Dois - Abbey Road:

George Harrison pediu e os Beatles voltaram aos estúdios para trabalhar em Only a Northern Song, canção que não teria lugar no novo disco. Das sete da noite às duas e quinze da manhã eles gravaram vários overdubs, adicionando baixo, trompete, e glockenspiel. Vocais também seriam adicionados. O ‘retrabalho’ em Only a Northern Song foi complicado e envolveu os takes 3 e 11. Quando os overdubs ficaram concluídos, ‘juntou-se partes distintas dos dois pedaços, resultando em Only a Northern Song. Para George Martin, a canção não era suficientemente boa para figurar no novo álbum. E acabou não entrando. A versão finalizada nesta sessão permaneceria inédita por 28 anos até ser ‘exumada’ para inclusão no disco dois da série Anthology, em 1995.

Sexta-feira - 21 de Abril

Estúdio Dois - Abbey Road:

Pensava-se, no começo dos trabalhos desta noite, iniciados às sete horas e encerrados à uma e meia da manhã, que o disco Sgt. Peppers estava finalizado. Não estava. Mixando-se as canções em estéreo, um problema surgiu em A Day in the Life. Após o acorde final de piano, o som ia sumindo e ficava literalmente um ‘buraco’ entre os sulcos finais e a área lisa próxima ao selo dos LP’s – aquele espaço onde a agulha do pick up por não encontrar o que ler, acionava o mecanismo que fazia o braço dos toca-discos retornarem à base. A solução foi encontrada pelos Beatles, rapidinho. Os quatro sentaram-se no chão do estúdio e ficaram brincando, literalmente tagarelando coisas sem sentido. Gravaram isso por duas vezes, e a ‘mistura’ incluiu sons de piano entre outros ruídos. Poucos segundos seriam aproveitados. John Lennon deu a idéia de ‘montar’ o material no disco numa alta velocidade de quinze quilo ciclos, audível, portanto somente para cães. Assim entrou no disco aquele finalzinho conhecido como Sgt. Peppers Inner Groove! Com essa ‘sacada’ o disco Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band estava finalmente pronto, 700 horas após o começo dos trabalhos, e representando 318 vezes mais tempo que o período gasto para gravar o LP Please Please Me, em 1963. O que viria daí por diante? Que reações o disco causaria? Será que alguém imaginava que após 40 anos esta memorável produção estaria sendo alvo – ainda – de todas as honras, que o apontam como o maior de todos da história da música popular?



Jukebox

DVD Especial

publicidade

publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade


Advertisement