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10 de Setembro de 2010
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Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol PDF Imprimir E-mail
Image Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol

Alice no País das Maravilhas, um dos grandes clássicos de todos os tempos ganha edição radical, em versão integral, traduzida pelo historiador e professor da Universidade de Harvard Nicolau Sevcenko (1952-). As ilustrações de Luiz Zerbini (1959-) são um espetáculo à parte. O artista plástico paulista criou cenários feitos de cartas de baralho das quais saltam os personagens, por meio de recortes. As maquetes foram fotografadas com iluminação teatral.   No estilo nonsense que o tornou único, o livro conta a história das aventuras de Alice ao cair numa toca de coelho, que a leva a um lugar povoado por criaturas fantásticas e enigmas.   A edição é complementada por indicações de ensaios sobre Alice, biografia do autor e uma relação de artistas que já se aventuraram pelo País das Maravilhas, além de uma pequena filmografia baseada na obra original.

Alice, nossa heroína e inspiradora
Por Livia Deorsola   
Alice no País das Maravilhas é “a melhor lição de ética, de irreverência e de inconformismo, tanto para crianças quanto para adultos.” A definição é de Nicolau Sevcenko (1952-), que, além de apaixonado pela obra-prima de Lewis Carroll, é um de seus melhores tradutores. Historiador e professor da Universidade de Harvard e da USP, ele volta ao texto do autor inglês na nova edição da Cosac Naify, uma versão completa do original de 1865, agora com a tradução inédita dos poemas.   Sevcenko - de quem a Cosac Naify lançará, em 2010, A revolta da vacina (1993) - assina também um posfácio exclusivo, contextualizando o período vitoriano em que o livro foi escrito e a crítica à sociedade implícita na narrativa de Carroll. Centra-se, sobretudo, na submissão das crianças à disciplina puritana que tolhia a liberdade lúdica.  Na entrevista a seguir, o tradutor fala, ainda, sobre a visita que fez aos locais onde viveram Carroll e a família de Alice, e ressalta seu deslumbramento diante da “poesia visual ao mesmo tempo delicada, onírica e estranhamente desconcertante” criada pelas ilustrações do artista plástico Luiz Zerbini.
*

O que o levou a traduzir Alice no País das Maravilhas?

Sempre fui apaixonado pelo livro. Sabendo disso, a Cristina Carletti, então editora da Scipione, me convidou para traduzi-lo (no final dos anos 80 ou início dos 90, não lembro bem). Eu disse que gostaria de fazer o texto na íntegra, e não apenas uma adaptação. Na época, estava bastante ocupado – com aulas, pesquisa, artigos, livros –, por isso o processo da tradução foi bastante árduo e lento, e levou cerca de um ano.   O resultado acabou se tornando até mesmo parte de pesquisas de mestrado e doutorado, no Brasil e no exterior, que comparavam diferentes traduções da Alice, o que me deixou muito contente. Minha tradução foi também escolhida para ser transcrita em braile pelo Instituto dos Cegos do Brasil, o que  me deixou mais feliz.    

Para esta nova edição, o senhor retraduziu os poemas originais de Lewis Carroll. O que mudou?

Na ocasião em que fiz o trabalho pela primeira vez, decidimos usar parte dos poemas traduzidos pelo Geir Campos, para não atrasarmos o cronograma. Então aproveitamos algumas das poesias mais longas e complicadas. Agora, eu mesmo traduzi todos os poemas. Encarar os jogos gramaticais, semânticos, contextuais, poéticos, filosóficos, estéticos e éticos das poesias e canções do livro foi um desafio enorme. Mas quanto maior a complexidade e amplitude do desafio, maior é o prazer de enfrentar e se divertir com o jogo. É uma espécie de toque-emboque de palavras e imagens que temos de encarar com coragem, porque se a gente vacila, por trás ecoa a voz ameaçadora da Rainha gritando: – Cortem a cabeça dele!  

O senhor visitou os lugares onde viveu e trabalhou Lewis Carroll, em Oxford. Como foi a experiência?  

Só pude visitar Oxford no fim dos anos 90, quando fui convidado para participar de um evento acadêmico no Saint Anthony's College da Universidade de Oxford. Fiquei excitadíssimo com a possibilidade de conhecer de perto o cenário da vida de Lewis Carroll e das irmãs Liddell [sobrenome da família de Alice]. Fiz uma pesquisa básica sobre os lugares por onde eles andavam e pelas circunstâncias e contextos que foram incorporados no livro, e me diverti muito fazendo o roteiro. Lá, naturalmente, tanto o pessoal da Universidade quanto os habitantes são fãs incondicionais da Alice, e quase todo mundo tem uma anedota para contar, algum fato inusitado, um lugar menos conhecido, fofocas sobre a identidade secreta dos personagens, sobre o que Carroll aprontava na Universidade, sobre a família Liddell e as meninas. Foi uma delícia e aprendi maravilhas, literalmente.  

No posfácio feito para esta edição, o senhor ressalta a sátira ao mundo dos adultos, liberando as crianças para a espontaneidade e para sua vocação lúdica. Qual o sentido que esta interpretação mantém com o contexto vitoriano?

O livro apresenta um mundo atravessado de irracionalidade, de situações absurdas e de diálogos desconcertantes, e, no entanto, é movido por uma lógica política implacável. Ele representa uma ordem opressiva em que prevalecem a violência, o medo, a coação, as ameaças, que se impõem de cima para baixo, numa estrutura hierárquica em que os mais fracos e vulneráveis são os mais expostos a atos arbitrários. É exatamente como se sentem as crianças e os jovens, num mundo dominado por gente grande, arrogante, autoritária e brutal. É como se sentem também as pessoas pobres, os deficientes, as minorias, os estrangeiros, os imigrantes e as criaturas da natureza. Alice, não nos esqueçamos, é uma estrangeira no País das Maravilhas.  O outro lado da história, ainda mais fascinante, é que, sendo uma criança, Alice não incorporou ainda a norma e o hábito da subserviência. Nesse sentido, onde quer que ela detecte alguma situação de prepotência ou desrespeito, imediatamente reage e encara o ser truculento de igual para igual, sem medo e sem dobrar a espinha. Ela implode a lógica do autoritarismo vitoriano. É nesse sentido que ela é a nossa heroína e inspiradora. Só uma criança pode ter esse desprendimento de ignorar as regras que sustentam um sistema opressivo. Tal como o menino que um dia gritou que “O rei está nu!”. Portanto, Alice ainda é e sempre será a melhor lição de ética, de irreverência e de inconformismo, tanto para crianças quanto para adultos.  

Um dos trechos mais conhecidos da obra é o momento em que aparece a Rainha de Copas e seu particular senso de justiça – a sentença antes do veredicto. Qual a leitura política que se pode fazer desta passagem?

O livro todo é uma alegoria sobre os mecanismos que sustentam sistemas de poder e como desarmá-los. Eu sei que dizer isso soa como uma aberração e parece extrapolar o universo de um livro infanto-juvenil. Mas esse é o verdadeiro mistério pelo qual essa obra é das mais lidas, traduzidas e admiradas da cultura ocidental: ela comporta imensas ambivalências e cria uma realidade limiar, que tanto pode ser entendida como uma fábula para jovens, quanto como uma das mais percucientes alegorias políticas.  

 Além de historiador, o senhor é interessado por diversas áreas, como literatura e cinema. Dentro desta perspectiva múltipla, quais são as aberturas que Alice no País das Maravilhas oferece ao leitor?  

A Alice é uma história com uma esplêndida força visual. É por isso que as ilustrações e os ilustradores sempre foram parte integrante e decisiva do livro. Essa é a razão também porque essa obra pode ser vertida fácil e admiravelmente para qualquer linguagem: teatro, cinema, desenho animado, quadrinhos, dança, música, ópera (acho que até hoje ninguém ainda teve a ideia genial de montar uma ópera sobre a Alice, mas fica aqui a sugestão para quem tiver a coragem e o bom-gosto!).   Para a edição da Cosac Naify, o Augusto Massi e a Isabel Coelho convidaram o artista Luiz Zerbini, que fez um trabalho de uma poesia visual ao mesmo tempo delicada, onírica, cheia de sugestões lúdicas e estranhamente desconcertante. É sem dúvida um trabalho à altura da energia alucinante e hipnótica do livro.


Folha de S. Paulo | Ilustrada
Nova edição tem boas ilustrações e tradução criativa
Marcelo Coelho

Os fãs de Alice no País das Maravilhas não têm do que se queixar. Além do filme de Tim Burton, que deve estrear entre março e abril de 2010 (o trailer já pode ser visto na internet), saiu nos Estados Unidos uma nova adaptação em quadrinhos da obra de Lewis Carroll, feita com muita delicadeza pela brasileira Erika Awano (editora Dynamite Entertainment).

No Brasil, a editora Cosac Naify lança o livro em ótima tradução do historiador (e autor de contos infantis) Nicolau Sevcenko (168 págs., R$ 45; edição de colecionador por R$ 89). Mesmo quem possuir a versão anterior de Sevcenko para esse clássico, publicada pela Scipione em 1992, não se arrependerá de gastar um bocado com essa nova publicação. O formato das páginas imita o de uma carta de baralho, e as ilustrações de Luiz Zerbini criam maravilhas próprias de imaginação ao se organizarem em torno do tema.
Rainhas e valetes, ouros e copas, castelos e padrões gráficos os mais variados não deixam de expressar perfeitamente o mundo, ao mesmo tempo matemático e imprevisto, lúdico e vicioso, meio sem começo nem fim, em que a menina Alice foi se meter.  Evita-se, com acerto, a tentação fácil de fazer da obra de Lewis Carroll apenas um "conto de fadas" para crianças, embora estas possam igualmente apreciar a beleza das ilustrações e o texto acessível da tradução.  Apelo visual Quando criança, aliás, nunca me dei muito bem com aquela história, que "entrava por uma porta e saía por outra", sem ter, para mim, nem pé nem cabeça. Sem dúvida, o apelo de Alice no País das Maravilhas não está no lado "romanesco", aventuroso da história. É muito mais visual -seja nas implicações sinistras e oníricas em que Tim Burton está pronto a se aprofundar, com Johnny Depp no papel de Chapeleiro Maluco, seja no constante jogo das transformações corporais e de cenários, que se presta igualmente aos antigos delírios de Walt Disney (o desenho animado é de 1951), como também às adaptações eróticas em quadrinhos que circulam por aí.

Além da fantasia visual, o livro de Carroll atrai os interessados em jogos de linguagem e paradoxos lógicos.  A filosofia analítica, que tantas vezes se assemelha a uma forma fascinante de pedofilia intelectual, costuma encontrar tesouros nesse texto; a psicanálise faz outro tanto.  A partir desse foco de interesse, a melhor "Alice" em português continua sendo a de Maria Luiza Borges, que traz os minuciosos comentários de Martin Gardner, num livro bastante taludo que a editora Jorge Zahar publicou em 2002.  Crianças e adultos Na elegante e simpática contracapa da tradução de Sevcenko, a escritora Ana Maria Machado, também tradutora de Alice, compara seu próprio trabalho com a presente edição. "Entre as boas traduções existentes, a de Nicolau Sevcenko se situa entre as mais criativas." Não se dirige, diz Ana Maria Machado, "preferencialmente ao adulto (como a de Sebastião Uchoa Leite) nem à criança brasileira (como a minha), mas se equilibra (...) numa delicada corda-bamba".

Sem dúvida, o adulto que não tiver vontade de se perder em notas e comentários filosóficos, como os de Martin Gardner, conta agora com uma edição lindíssima e com um texto cuja naturalidade e fluência, bem maiores que na tradução de Uchoa Leite, não banalizam a obra. Serve para o leitor pequeno e para o mais crescido.
( Fonte : www.cosacnaify.com.br)


Alice e o Poder da Imaginação
Por Ana Lúcia Santana

Lewis Carroll é o escritor que melhor compreendeu o universo infantil e o risco que ele corria de ser dominado por um mundo austero e mecanizado demais. Regras impostas, horários rígidos, crianças-robôs fabricadas por uma Inglaterra recém-industrializada. Ele sentia o encanto da infância se desvanecer, as brincadeiras prestes a desaparecer, os garotos prestes a se transformar em réplicas de adultos.

Diante deste cenário sombrio, ele aproveitou a oportunidade oferecida por um passeio ao lado das três filhas de seu amigo, o Reverendo Henry Liddell, quando ele criou de improviso uma história, inspirada em Alice, sua predileta entre as irmãs. A narrativa, composta em 4 de julho de 1862, transformou-se posteriormente em um exemplar especial editado a pedido da menina, no Natal do mesmo ano.

Com o sucesso repentino do enredo, o autor decidiu publicar a obra em versão ampliada, a qual se transformou em um clássico da literatura universal. Carroll influenciou com este livro os principais nomes da literatura moderna e antecipou até mesmo conceitos fundamentais da física contemporânea, como as potencias possibilidades exploradas pela Física Quântica. 

No País das Maravilhas ele assume o ponto de vista infantil, tecendo a partir desta visão uma crítica avassaladora do universo adulto, retratando-os como seres aborrecidos, enfadonhos, radicalmente sérios e artificiais. É assim que Lewis vê o contexto de sua época, marcado pela cultura vitoriana, mundo autoritário, desprovido de emoções, repressor e regido pelos desmandos e pela impossibilidade de dialogar.

Nesta esfera cinzenta e sem vida, Alice representa o poder da imaginação, a espontaneidade, a constante renovação, a metamorfose contínua. Ela é o símbolo da mudança, da brincadeira, da incansável busca da identidade, da eterna insatisfação, sempre à procura do novo, da compreensão daquilo que os adultos cristalizaram e estabeleceram como regras fixas e invioláveis.

A protagonista de Carroll revolve todos estes dogmas e normas, instituindo o incessante questionamento que balança as sagradas instituições da era vitoriana. Alice contrapõe seu dom de fantasiar ao absurdo da lógica de um mundo industrializado e estéril. Junto aos personagens que ela encontra na esfera das Maravilhas, ela se depara com as próprias tensões e imposições que se interpõem no caminho das travessuras infantis.

É através do universo onírico que Alice encontra o País das Maravilhas. A menina adormece no jardim, ao lado da irmã, e em seu sonho ela segue um coelho branco que, dentro do bolso do colete, guarda um relógio – não só o símbolo do tempo, que nesta trama é completamente personificado, mas principalmente a representação da própria mecanização – e segue apressado o seu caminho. Quando dá conta de si mesma, ela já entrou por uma toca e caiu nesta esfera surreal.

Este mundo é habitado tanto por figuras humanas quanto por animais personalizados, que convivem lado a lado. Aí Alice se depara com personagens como a arrogante Duquesa; o rato que se julgava um intelectual erudito, e cuspia palavras que ninguém compreendia; o pretensioso Dodó; a lagarta filósofa; o medroso Chapeleiro; a irritante Marmota; a autoritária Rainha e o Rei servil.

Neste tabuleiro em que se contrapõem sonho e realidade, lógica e fantasia, os limites e as inúmeras possibilidades do ilimitado, a rotina maçante e o extraordinário, as inesgotáveis duplicidades, Carroll brinca com as características do universo adulto de sua época, recorrendo a um arsenal sem fim de duplos sentidos e significados.

Neologismos e jogos de palavras são ferramentas fundamentais do autor para tecer este labirinto percorrido por Alice em busca de sua identidade. Afinal, questiona Lewis, o que é realmente ser criança? Desta forma ele se vale do País das Maravilhas para instaurar o mundo das brincadeiras no universo dos adultos.

Carroll traça seus personagens com tamanha ironia, do privilegiado ângulo em que se encontra, que não resta alternativa ao leitor senão observá-los sob a ótica da loucura. O ícone que melhor personifica esta característica é a Rainha, sempre pronta a cortar a cabeça dos que não concordam com suas opiniões desvairadas. Ela certamente não hesitaria diante da oportunidade de criar um exército de autômatos.

Corajosamente, Alice se torna sua principal adversária, demonstrando sua total aversão por esta esfera do poder ao conquistar sua identidade e, deste ponto de vista, ver estes personagens como eles realmente são, nada mais que um maço de cartas de baralho. Esta é a suprema vitória de Lewis sobre seus contemporâneos.

Várias edições deste clássico já foram publicadas no Brasil – desde a traduzida por Sebastião Uchoa Leite, mais direcionada para os adultos, até a de Maria Luísa Borges, que compôs um exemplar que tanto pode ser digerido por estes, quanto pelas crianças, passando pela tradução de Ana Maria Machado, particularmente dirigida para o público infantil.

A nova publicação, assumida pela Editora CosacNaify, é visualmente fascinante, recheada de cartas de baralhos inspiradas no País das Maravilhas, com as quais o artista plástico Luiz Zerbini compôs maquetes por ele fotografadas. Para realizar este trabalho magnífico, ele recolheu cartas de todo o Planeta, as quais passaram a integrar sua coleção particular. É de tirar o fôlego o resultado de suas ilustrações para esta obra. 

A tradução, por conta do escritor e professor universitário Nicolau Sevcenko, é certamente original e criativa. Ele consegue encontrar as melhores correspondências, na língua portuguesa, para os neologismos de Carroll, um dos escritores com quem ele mais se identifica. O tradutor cultiva por Alice no País das Maravilhas um carinho especial, o que contribui, certamente, para sua preservação do clima bem-humorado e absurdo da obra.

A versão especial deste livro, de tiragem limitada, vem aconchegada em uma caixa especial, particularmente composta para colecionadores. Esta edição ainda conta com um posfácio original escrito pelo Professor de História da Cultura da USP, Nicolau Sevcenko, intitulado O País das Maravilhas e o Reino das Marmotas, no qual ele discorre sobre a influência do contexto de Carroll em sua obra. Complementam a nova edição as biografias do autor inglês, do tradutor e do ilustrador, além da bibliografia que discorre sobre este clássico.

Nada melhor que uma edição como esta para que o leitor se inicie, ou mergulhe mais uma vez, neste mundo de ponta-cabeça, no qual é possível assumir um ponto de vista diferente, e olhar com novas cores e sabores um universo insípido que infelizmente não se resume à paisagem vitoriana inglesa, mas contamina o mundo contemporâneo, cada vez mais automatizado e maçante. A leitura de Alice no País das Maravilhas nunca foi tão atual e necessária!

·    Carroll, Lewis. Alice no País das Maravilhas. Editora CosacNaify, São Paulo, 2009, 165 pp., R$ 45,00. Edição Especial para Colecionadores.







 







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