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7 de Setembro de 2010
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As Notícias - Nossa Letra

Histórias

Não sei de vocês, caros leitores, mas, há determinadas ocasiões , que podem ser as grandes ou pequenas, onde tudo o que queremos, e invariavelmente não podemos, é não estar onde nós estamos. Penso que isso acontece todos os dias, dentro de carros, salas, quartos, ou mesmo parques, ruas, jantares ou intermináveis reuniões. Lembro ter lido em algum lugar, que Júlio Verne começou a escrever seus fantásticos livros de aventura porque não tinha recursos para viajar pelo mundo.

Imaginem-se então,  num desses momentos onde qualquer fuga é impossível, onde ninguém aparece para te dar a mão, ouvir suas palavras ou o teu silêncio. Você olha para um lado, para o outro e, sem ter para onde ir e nem como ir, lembra de uma boa e velha história que te contaram, que você leu ou ouviu há muito tempo atrás, não faz a menor idéia de quem seja o autor mas que, naquele minuto exato, te leva para longe e te transforma num andarilho ou num alpinista , num astronauta ou num mergulhador, num cavaleiro ou num popstar, num viajante ou num poeta. No final, quando a realidade volta - sim porque ela sempre arranja um jeito de voltar- apenas a intrínseca certeza de que por poucos segundos você realmente não esteve ali.

À vocês , uma desses pequenos passaportes. Que um dia ele possa te levar a algum lugar.

" Contam os etíopes que um velho, à beira da morte, chamou seus três filhos e lhes disse :

- Não posso dividir em três partes o que tenho. Isso faria com que sobrasse muito pouco para cada um de vocês. Decidi deixar tudo o que tenho, como herança, para aquele que se mostrar o mais hábil, o mais inteligente. Dito de outra maneira : ao meu melhor filho. Pus sobre a mesa uma moeda para cada um de vocês. Peguem-na. Aquele que, com essa moeda, comprar alguma coisa capaz de encher nosso casebre, ficará com tudo.

Eles partiram.  O primeiro filho comprou palha, mas esta deu apenas para encher o casebre até a metade das suas paredes.

O segundo filho comprou sacos com penas , mas também não conseguiu encher o casebre.

O terceiro filho – que ficou com a herança – comprou apenas um pequeno objeto. Era uma vela. Ele esperou a noite, acendeu a vela e encheu o casebre de luz."

Equipe do LetraseLivros

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